Cirurgias bariátricas: qual procedimento tem melhor resultado no diabetes tipo 2?

Cirurgias bariátricas: qual procedimento tem melhor resultado no diabetes tipo 2?



Cirurgias bariátricas têm se mostrado o método mais eficaz para o controle da obesidade mórbida ao comparar com a medidas comportamentais e/ou medicamentosas. Infelizmente apesar de todo o apelo que atualmente existe para a prática da alimentação saudável e uso de novas substâncias de controle da fome as projeções estimam um aumento do número de cirurgias bariátricas nos próximos anos.

Existem alguns tipos de procedimento que podem ser feitos no paciente obeso, porém o bypass em y-de-roux (BPG) e a gastrectomia vertical (GV) são os dois mais aceitos e realizados. Cada tipo possui suas peculiaridades e não podem ser utilizados de forma indiscriminada em qualquer paciente.

No entanto existem algumas dúvidas no que tange o controle pós-operatório da diabetes mellitus tipo II (DM2) entre estes diferentes procedimentos. Por um lado, temos o BPG, como método clássico de cirurgia bariátrica e utilizado por muitos anos, por outro a GV tem ganhado maior espaço e em algumas séries supera o número de BP realizados.

Método/objetivo

Foram analisados os dados de pacientes com DM2 submetidos a cirurgia bariátrica em 34 centros de referência de janeiro de 2005 a setembro de 2015. O objetivo principal era analisar a remissão da DM2 e se esta era duradoura entre os dois tipos de procedimento cirúrgico. Assim foi definido que a primeira medição HbA1c menor que 6,5%, após a cirurgia seria definido como remissão e em contrapartida após a remissão dosagens superiores a 6,5% de HbA1c ou necessidade de uso de hipoglicemiantes determinava a recaída de DM2.

Resultados

A população envolvida na análise incluiu 9.710 pacientes adultos, principalmente do sexo feminino (7.051 mulheres; 72,6%). A idade média de 49,8 anos. Dentre os tipos de procedimento realizado predominou o BPG com 6.233 (64,2%) dos pacientes. Além disto os pacientes submetidos a bypass gástrico possuíam um maior número de comorbidades em especial apneia do sono, esteatose não alcoólica e refluxo gastro esofágico. Nos dois grupos ocorreu perda de peso no primeiro ano, com algum reganho após este período, sendo que os pacientes do grupo do bypass apresentaram uma perda de 6,2 a 9,1% maior que a gastrectomia vertical.

Da mesma forma quando se analisou os níveis de HbA1c em ambos grupos apresentaram remissão da diabetes nos 2 primeiros com uma discreta vantagem para o grupo do bypass. (vide tabela):

Remissão DM2 após cirurgia 1 ano 3 anos 5 anos
Bypass 59,2% 84,3% 86,1%
Gastrectomia vertical 55,9% 81,5% 83,5%

Um total de 6.141 pacientes apresentaram remissão da DM2. O acompanhamento destes evidenciou que a remissão da diabetes não era permanente e um significativo número de pacientes apresentaram recaída da DM com necessidade de tratamento medicamentoso ou aumento do índice de HbA1c conforme demostrada na tabela a seguir:

Tempo após remissão 1 ano 3 anos 5 anos
Bypass 8,4% 21,2% 33,1%
Gastrectomia vertical 11,0% 27,2% 41,6%

Conclusão sobre cirurgias bariátricas em pacientes com diabetes

Apesar de apresentar uma boa taxa de resposta ao controle da DM2, os resultados podem não ser duradouros com taxas de recaídas elevadas em ambos os grupos podendo chegar a 33% do grupo do BP e 42% da GV.

A análise pormenor dos grupos sugere que aquele paciente que possua um controle mais difícil da diabetes possa se beneficiar da cirurgia do bypass gástrico. Entre estes critérios clínicos incluem uso prévio de insulina, idade avançada, níveis maiores de HbA1c e uso de diversas medicações para controle da diabetes.

Este é um estudo observacional e a seleção entre os dois tipos de cirurgia não foi avaliada e sem dúvida diversos fatores influenciaram esta decisão.

Na prática

A cirurgia bariátrica é um importante mecanismo para o controle da obesidade mórbida, porem como qualquer outro método possui falhas e seus resultados variam na população. Mesmo assim este artigo sugere que pacientes com maiores repercussões metabólicas podem se beneficiar de uma cirurgia com o bypass gástrico em y-de-roux em relação a gastrectomia vertical.


Autor(a): Felipe Victer
Cirugião geral ⦁ Hospital Universitário Pedro Ernesto ⦁ Hospital Universitário Clementino fraga filho (UFRJ) ⦁ Felllow do American College of Surgeons ⦁ Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões ⦁ Membro da Sociedade Americana de Cirurgia Gastrointestinal e Endoscópica (Sages) ⦁ Ex-editor adjunto da Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (2016 a 2019)

Referências bibliográficas:
McTigue KM, et al. Comparing the 5-Year Diabetes Outcomes of Sleeve Gastrectomy and Gastric Bypass. The National Patient-Centered Clinical Research Network (PCORNet) Bariatric Study. JAMA Surg. 2020;155(5):e200087. doi:10.1001/jamasurg.2020.0087

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